Os Deuses, em debandada, fugiram-te para o peito. Esconderam-se. Sente-os.
Lágrimas ao ouvir isto.
Agora pensa que podes sempre recorrer ao teu próprio peito. Sempre.
As gotas salgadas que escorrem pela bochecha... humilham-te envergonhadamente.
10 março 2015
11 janeiro 2015
O pintor
O pintor, seja ele quem for, enquanto pinta, pratica uma teoria mágica da visão. Ele terá de admitir que as coisas passam por si ou que, segundo o dilema sarcástico de Malebranche, o espírito sai pelos olhos para ir passear pelas coisas, uma vez que não cessa de ajustar nelas a sua vidência. (Merleau-Ponty, 1960, O Olho e o Espírito, p.27)
15 junho 2014
Sinto um peso na nuca de carregar um fardo que não é meu. Ouço a gaivota incomodada, expele agressivamente a raiva pelo bico. Apesar do desconforto que é ouvi-la, quero ser como ela. Poder carregar o peso, mesmo que roubado - do mar; de outro bico - poder suportar essa carga conscientemente. Pronto, talvez a personificação se tenha desviado por meios desmedidos de exagero e excentricidade. Ou talvez não e as palavras sejam tão reais e verdadeiras quanto eu aqui sentado, meio torcido, à espera de um chamamento que sei já não chegar da mesma altitude.
E agora de repente as palavras e as letras deixaram de ter qualquer impacto, pois nenhum signo desses será, jamais, genuíno. Como a raiva que ouço da boca da gaivota por carregar o peso, antes de o engolir. Engolir o peso, incorporá-lo sem que nunca consiga sair. Quão visceral se terá tornado isto agora? Nada, tendo em conta a nutrição, Tudo, pesando mais de metade em elementos dispensáveis.
31 maio 2014
19 abril 2014
01 abril 2014
pózinho
Era o pózinho amarelo. Pois é, caíam a largar esse pózinho. Só um pózinho. O interesse vem desse próprio diminutivo.
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